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Ao entrar numa nova relação



DIVORCIE-SE emocionalmente de seus pais, só quando assumimos a responsabilidade de nossas escolhas e arcamos com suas conseqüências estamos prontos para nos envolvermos afetivamente.

PERDOE-SE E PERDOE o(a) antigo(a) companheiro(a), começar uma outra relação com mágoas e ressentimentos acumulados, é decretá-la falida antes do início, a tendência será a repetição do mesmo padrão de erros da relação anterior.

ELIMINE seu parceiro(a) da projeção ideal que você criou sobre ele e passe a conhecê-lo melhor.

COMUNIQUE-SE claramente, não deixe nada subentendido, o que está claro para você, pode não ter sido sequer percebido pelo outro, ou julgado menos importante.

NUNCA CEDA, quando surgirem pontos divergentes, busque com criatividade uma solução que agrade a ambos, pois quem cede demais fica frustrado e o acúmulo de ressentimentos gera crises profundas a longo prazo.

SONHE e CRIE projetos em comum, relações desprovidas de projetos em comum não aprofundam raízes e tendem a tombar depois de um tempo.

ENTREGUE-SE totalmente, se você não acredita numa nova relação por que começá-la? Se acredita por que não se doar por inteiro? 

LEMBRE-SE: se não existissem fins, não existiriam recomeços, a graça de Deus não desiste de nós e sempre nos anima a recomeçar!  


Por: Luciana Rodrigues - cristã, historiadora, educadora, cinéfila, poetisa, leitora compulsiva, meio psicanalista e meio teóloga, autora do blog Tende ânimo!







Certezas para quem se submete (Salmo 23)



O Senhor é o meu Pastor,
[certeza de submissão, de quem se permite ser guiado]

nada me faltará.
[certeza de suprimento em tempos bons e ruins]

Deitar-me faz em verdes pastos,
[certeza de auxílio]

guia-me mansamente às águas tranqüilas;
[certeza de alívio para as dores do coração]

Refrigera a minha alma,
[certeza de paz em meio às adversidades]

guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome,
[certeza de direção, de amor incondicional e não meritório]

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte
não temeria mal algum, 
[certeza de companhia e socorro até nos piores tempos]

porque tu estás comigo,
[certeza de fidelidade]

a tua vara
[certeza da correção necessária ao amadurecimento]

e o teu cajado me consolam;
[certeza de consolo durante a correção]

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos,
[certeza de saída nas situações mais difíceis]

unges a minha cabeça com óleo,
[certeza de cuidado]

o meu cálice transborda;
[certeza de alegria abundante, não obstante as circunstâncias]

Certamente que a bondade e a misericórdia
me seguirão todos os dias de minha vida,
[certeza de acolhimento e de aceitação, assim, do jeito que nós somos]

e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
[certeza de eternidade!]


Por: Luciana Rodrigues - cristã, historiadora, educadora, cinéfila, poetisa, leitora compulsiva, meio psicanalista e meio teóloga, autora do blog Tende ânimo!





O segredo adoece




Somos seres sociais.
Não reagimos bem a longos períodos de solidão.
Viver em sociedade pressupõe partilhas –
de idéias, sonhos, desejos, emoções, prazeres, dores...
Aprendemos, sofremos e crescemos juntos.
Se, por alguma razão, se instala em nós
a pseudo-necessidade do segredo, adoecemos.
O motivo?
Deus nos criou para a Verdade.
É ela que liberta, que oxigena e que desafoga
o coração mais aflito.
O segredo sempre é pior,
e suas conseqüências mais danosas à alma,
que toda e qualquer situação mantida oculta.
É dor latejante que só se ameniza
pela possibilidade de virar palavra/confissão,
de ser vivenciada emocionalmente outra vez
através da fala que expõe, alivia e cura.
Que nos reexaminemos.
Que nos libertemos o quanto antes dos segredos que escravizam.
Que sejamos verdadeiramente livres de nós mesmos,
dos nossos segredos,
e que nada nos impeça a paz.


Por: Luciana Rodrigues - cristã, historiadora, educadora, cinéfila, poetisa, leitora compulsiva, meio psicanalista e meio teóloga, autora do blog Tende ânimo!

  




O transtorno coletivo de dupla personalidade e a vida cristã


Quem ainda não ouviu em algum sermão aquela história do menino que pede ao pastor para morar na igreja porque lá seu pai torna-se uma pessoa eminentemente cristã?

Nos consultórios de psicanálise a cada dia torna-se mais comum o tratamento de cristãos adoecidos dos mais diversos recalques, traumas e neuroses.

É gente de Deus que ainda não entendeu a simplicidade do Evangelho, que ainda não se encontrou a sós com Jesus.

Gente que não pára, que está na igreja de domingo a domingo, mas que não silenciou o coração para ouvir a voz daquele que dizem ser o senhor de suas vidas.

Gente cujo caminho ainda está longe de ser aquele que nos aproxima da verdade que liberta...

Gente que muitas vezes até pretende curar-se, mas, que, todavia não quer se submeter ao processo de cura.

Sim, porque curar-se dá trabalho, requer quietude, tempo a sós com Jesus, leitura/meditação/re-leitura da Palavra, arrependimento, renovação de valores morais, mudança de hábitos, limpeza da mente, perdão, aceitação de si próprio e do outro, esquecimento de mágoas, confiança na justiça divina, sorriso indistinto, fé e disposição íntima em manter sempre este processo.

E eu fico aqui me perguntado de que vale o faz-de-conta, se a vida não muda, se a alma não experimenta paz, não se há alegria, se a alma não pára de doer... 

Se no afã de manter-se “impecável”, nega-se a necessidade de negar-se a si mesmo. 

Nega-se o efeito terapêutico e inalienável de tormar a própria cruz após Cristo, nega-se a necessidade de cortar membros e de os jogar fora. 

Prefere-se conviver com o mal cheiro de membros apodrecidos do que submeter-se a amputação que liberta a alma, que sara a dor mais íntima.

E o óbvio acontece, haja posto que não há quem viva nesta situação-limite sem desabar! 

Mais cedo ou mais tarde, se adoece, se implode (se explode pra dentro!) com conseqüências às vezes irreversíveis e doenças psicossomáticas ainda mais graves à alma do que os próprios traumas vivenciados durante toda a vida...

Cada dia mais cristãos vivem como se sofressem de um transtorno de dupla personalidade coletivo. 

No dia-a-dia são um tipo ciumento, invejoso, tirano, fofoqueiro, promíscuo, mentiroso. 
Mas aos domingos transformam-se, aparentam um caráter, do qual jamais foram portadores... 
E por isto mesmo sucumbem tão facilmente, ao menor sinal de tempestade...

Que cada um se examine, e que pela graça misericordiosa do Pai, se permita a atitude humilde de correr para os braços de Jesus, que está sempre pronto a socorrer e curar a quem quer que se achegue com sinceridade de coração.


Por: Luciana Rodrigues - cristã, historiadora, educadora, cinéfila, poetisa, leitora compulsiva, meio psicanalista e meio teóloga, autora do blog Tende ânimo!


Vales



Todo crescimento está nos vales.
No vale dos traumas emocionais,
que nos assaltam lançando medos e dores persistentes...
No vale dos relacionamentos desfeitos,
que deixam vazios, lançando um forte pesar no coração...
No vale do trabalho diário,
onde muitas vezes nossos esforços não são reconhecidos, nem justamente remunerados...
No vale das diferenças familiares,
que criam abismos íntimos em nós em relação aos outros...
No vale das mudanças que buscamos alcançar,
na medida em que tomamos consciência de quem somos e de quem devemos ser...
No vale da solidão,
que nos assalta mesmo quando sabemos que muitos nos amam...
São nesses lugares que moldamos nosso caráter,
que amadurecemos a alma, que nos desapegamos do passado,
que renovamos nossas convicções,
fortalecemos o coração e nos superamos,
modificando atitudes e reformando pensamentos.
E mais cedo ou mais tarde entendemos que a funcionalidade dos vales
está para-além da birra da criança, que doente, não quer tomar o remédio amargo...
O tempo que passamos nos vales, é um bem imerecido,
que invariavelmente estabelece-nos a saúde da alma e a harmonia no coração.


Por: Luciana Rodrigues - cristã, historiadora, educadora, cinéfila, poetisa, leitora compulsiva, meio psicanalista e meio teóloga, autora do blog Tende ânimo!




Decantação da memória: o tempo, o esquecimento e a decisão de perdoar



Perdoamos definitivamente alguém,
quando nos reportamos à sua lembrança
sem a intenção ou a necessidade de ferir-lhe de alguma forma;
Quando nos reportamos ao passado sem vivenciarmos novamente a dor que nos foi causada;
Quando vemos a pessoa que nos destratou e continuamos em equilíbrio;
Quando voltamos àquele lugar e nada mais ali nos machuca;
Quando relembramos a situação de outrora sem que se nos altere as emoções.  
Para isto contamos com as benesses do tempo, da disposição íntima em esquecer1 e da firme decisão de perdoar.
Só a firme decisão de perdoar nos capacita a esquecer a ofensa,
decantando-a2 no fundo do copo chamado memória.
Este processo leva tempo, é demorado e igualmente difícil,
contudo, purifica as emoções, faz submergir em nós apenas a lembrança,
limpa, sem dores revividas.
Dores estas, que uma vez esquecidas,
já não têm nenhum efeito nocivo sobre nós.

Lembremo-nos:
Tudo começa na disposição de esquecer, na decisão de perdoar.
tempo se encarrega do resto!



Por: Luciana Rodrigues - cristã, historiadora, educadora, cinéfila, poetisa, leitora compulsiva, meio psicanalista e meio teóloga, autora do blog Tende ânimo!




A benção da culpa





Culpa é a falta voluntária.
Quando temos uma atitude sabendo que deveríamos ter uma outra.

Culpa é a consciência de um erro
contra nós ou contra quem amamos,
ou geralmente as duas coisas.

Parece-me impossível errar com alguém sem que isso 
nos cause profundo mal;
ou errar conosco sem perturbar as emoções 
de quem verdadeiramente nos ama...

A consciência da culpa
gera inexoravelmente o remorso,
que se manifesta quando nos reprovamos e assumimos a falta.
Contudo, pode levar dias, anos, décadas ou vidas inteiras até que percebamos isto...

No entanto, o remorso, quando chega à alma,
produz o pesar genuíno pela falta cometida.
É neste momento que experimentamos o poder 
curador do arrependimento
que começou com a culpa.

Arrepender-se é mudar de atitude, produzindo 
uma nova forma de agir,
não é simplesmente pedir perdão...

De modo que só há libertação da culpa
que se arrepende e manifesta em ações 
um processo de mudança paulatino e constante -
por vezes doloroso.

Que este processo esteja em pleno andamento em você hoje.


Por: Luciana Rodrigues - cristã, historiadora, educadora, cinéfila, poetisa, leitora compulsiva, meio psicanalista e meio teóloga, autora do blog Tende ânimo!




Desapego




Desapegar-se de algo ou alguém não significa largar,
nem perder o interesse.
Não significa deixar de sentir amor ou afeição, nem deixar de  sentir-se ligado de alguma forma.
Somente quando nos desapegamos das coisas de que gostamos e das pessoas que amamos, começamos a entender o amor, que vai tomando sua forma mais real e significativa.
Sim, amar é desapegar-se, é soltar-se de tudo.
É confiar correndo o risco de não ter mais por perto o objeto ou o ser amado sem que isto lhe cause dor à alma.
É entender que nada lhe pertence para sempre, mas por um determinado tempo e por alguma razão.
Quando amamos sem nos apegarmos, há paz.
Mesmo que percamos o objeto afeiçoado ou a pessoa amada,
estaremos tranqüilos, por já termos entendido que nada nos pertence indefinidamente.
Para exercitar o desapego, doe coisas que você não precisa, mas mantém em casa, deixe seus filhos participarem daquela viagem do colégio.
O exercício ensinará quão melhor é amar sem apegar-se!


Por: Luciana Rodrigues -
cristã, historiadora, educadora, cinéfila, poetisa, leitora compulsiva, meio psicanalista e meio teóloga, autora do blog Tende ânimo!




O trabalho do oleiro




Sejamos como o barro amolecido,
que se torna maleável
ao manuseio do artesão.

Sejamos aquele barro
que facilmente se molda,
que não reclama do exaustivo manuseio,
que espera prontamente
pelo fim da restauração.

Sejamos o barro que não se endurece,
que aceita cada um dos ajustes
feitos pelas mãos do oleiro,
como possibilidade de ser ainda mais útil
depois de pronto, em suas mãos.

Sejamos o barro que quando rachado,
se alegra com a possibilidade de conserto
se submetendo para adquirir nova utilidade.

Sejamos o barro que pacientemente,
confia no bem que só o oleiro pode fazer,
ainda que os ajustes sejam frequentes e incômodos,
pois são extremamente necessários, para que,
o trabalho do oleiro em nós seja, por fim,
um trabalho contínuo de amor
proporcionando o bálsamo da reforma íntima.

Por: Luciana Rodrigues - cristã, historiadora, educadora, cinéfila, poetisa, leitora compulsiva, meio psicanalista e meio teóloga, autora do blog Tende ânimo!




 
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